Oficina REA no Educaparty

Por Carolina Rossini

Aconteceu no Educaparty, dia 09/02, a Oficina Recursos Educacionais Abertos: como usar, criar e compartilhar, promovida pelo Instituto Educadigital (IED), liderada por Bianca Santana – Diretora de Educação do IED e da Casa de Cultura Digital e por Débora Sebriam do IED e do Projeto REA-Brasil. A oficina começou com uma dinâmica e com uma rodada de apresentações dos participantes e constatou-se que a maioria dos estados brasileiros estavam ali representados. A oficina também contou com a presença de integrantes da comunidade REA-Brasil, como Carolina Rossini, Tel Amiel e Andreia Inamorato.

Na dinâmica inicial, Bianca Santana provocou os participantes a se posicionarem em uma linha de concordância ou discordância sobre a afirmativa: “autoria é sinônimo de propriedade”. A grande maioria dos presentes se posicionou contrário a afirmativa. Alguns se pronunciaram explicando que a Internet promove colaboração e que tais palavras não deveriam ser vistas como sinônimos. Já outros, afirmaram que o direito do autor deve ser reconhecido – com o que a todos concordaram. Um último participante trouxe conceitos, diferenciando propriedade de direito de autor, para este a propriedade vincula-se a bens materiais e não para bens imateriais.

Após a dinâmica inicial, o conceito REA da Unesco foi apresentado por Débora Sebriam e alguns dos presentes tomaram a palavra para ressaltar a necessidade de formatos abertos para a elaboração e compartilhamento de Recursos Educacionais Abertos.

As 6 licenças Creative Commons disponíveis e validadas juridicamente no Brasil foram apresentadas explicando-se o funcionamento de cada uma delas. Essa apresentação foi seguida pela discussão dos impactos de escolha de cada licença. No Commons do conhecimento o autor sempre existe, mas também se reconhece que muito do conhecimento produzido por aquele autor vem de uma construção sobre o conhecimento social.

Duas questões práticas foram colocadas ao grupo:

  • como escolher uma licença do Creative Commons
  • como utilizar ferramentas de busca avançadas, como a do Google, para encontrar materiais licenciados abertamente

Após a discussão inicial sobre o conceito e licenciamento aberto de materiais educativos, o grupo realizou um exercício prático no site do Creative Commons e decidiu-se licenciar um plano de aula hipotético. Após responder às duas perguntas básicas, a licença escolhida pelo grupo no exercício foi a CC-BY-NC-SA ( Atribuição – Uso não comercial – Compartilhamento pela mesma Licença) uma das licenças mais restritivas. Uma discussão foi iniciada sobre os impactos da licença, as dificuldades de interoperabilidade legal com outros projetos REA e a perda de oportunidade de ganhos indiretos com licencas como a CC-BY advindas do ganho de notoriedade, fato que resultou um repensar a licença, motivando as pessoas a escolherem licenças mais abertas.

O trabalho de Raffaela Traniello é um exemplo de criação REA. Rafaella é uma professora de ensino fundamental na Itália, que é um exemplo de professor autor. Ela estimula a criatividade, colaboração e o compartilhamento criando séries de animação com seus alunos sempre promovendo e fazendo uso de software livre e licenças Creative Commons.

Licenças e compartilhamento continuaram em pauta com uma reflexão sobre o conteúdo do Portal do Professor, Banco Internacional de Objetos Educacionais, Portal Domínio Público e Connexions.

Ao final, os participantes tiveram oportunidade de dar seu depoimento respondendo a pergunta: o que eu faço na minha prática cotidiano tem a ver com REA? Muitos educadores já compartilhavam suas obras criativas na web, entretanto muitos deles, não conheciam REA e as possibilidades de licenciamento abertos e saíram da oficina empolgados com a possibilidade de colher os frutos de publicar REA.

A oficina foi marcada pela participação constante dos presentes num debate aberto extremamente rico e foram presenteados com exemplares impressos do Caderno REA para professores e do folder REA.

A apresentação pode ser vista aqui.

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15/02/2012 at 11:45 1 comentário

Entrevista com Carolina Rossini

Entrevista concedida em 2009 por Carolina Rossini, fundadora e coordenadora do Projeto REA Brasil ao Gpopai (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação).

Gpopai: Como você avalia o uso atual de recursos educacionais abertos no Brasil?

Carolina Rossini: Para avaliar a existência, desenvolvimento e disponibilização de recursos educacionais abertos uso da seguinte estrutura: primeiramente penso nas diretrizes trazidas pela Declaração de Educação Aberta da Cidade do Cabo, como uma macro-estrutura de definição de educação aberta. Enquanto que, como um segundo passo de análise, e ao observar projetos específicos, desconstruo a missão e as elementos formadores de um certo projeto e comparo tais elementos com a definição de recursos educacionais abertos.

A Declaração da Cidade do Cabo traz e diretrizes fundamentais:

(a) Encorajar a larga participação social na criação, utilização, adaptação e melhoria dos recursos educacionais abertos, abraçar práticas educativas em torno da colaboração, da descoberta e da criação de conhecimento;

(b) Buscar a interoperabilidade legal e técnica dos recursos desenvolvidos. Determinando que os recursos educacionais abertos devem ser livremente compartilhados por meio de licenças livres que facilitam o uso, revisão, tradução, melhoria e compartilhamento por qualquer um. Os recursos devem ser publicados em formatos que facilitem tanto a utilização e edição, e adaptáveis a diferentes plataformas tecnológicas

(c) Em terceiro lugar, governos, conselhos escolares, faculdades e universidades devem fazer da Educação Aberta uma alta prioridade. Idealmente, recursos educacionais financiados pelos contribuintes devem ser abertos. Acreditação e os processos de adoção devem dar preferência a recursos educacionais abertos.

A aplicação desta estrutura a analise dos recursos educacionais disponibilizados pelos governos federal e estaduais e por entidades privadas no Brasil nos leva a concluir que muito já foi feito em relação a encorajar a participação, criação e algo esta sendo feito em relação a encorajar a colaboração e compartilhamento de conhecimento e recursos educacionais. Os mais de 10 projetos analisados no green-paper – como o Portal do Professor, o RIVED, o Projeto Folhas e Livro Público, são a prova disso. Entretanto, raríssimos são os projetos que buscam interoperabilidade técnica e legal – em termos de standards (padrões) técnicos de interoperabilidade de objetos educacionais e plataformas de disponibilização de recursos  diferentes objetos e licenças de direito autoral e software abertas que permitem a congregação de recursos, o que mostra claramente que a falta de uma política única ou uma melhor interlocução entre entes (principalmente públicos) ao redor da disponibilização de recursos educacionais abertos pode significar a ineficiência e a não utilização de recursos, ou mesmo “morte” de projetos nos quais o governo investiu milhões e milhões de reais e muito tempo.  Desta forma, creio que o Brasil esta a caminho de satisfazer a primeira diretriz, mas estamos longe de realizar as indicações da segunda e terceira diretriz.

Agora, quando dissecamos projetos que tem como missão a ampla e inclusiva disponibilização de recursos educacionais para a população brasileira o problema de não interoperabilidade e falta de uma posição clara dos entes públicos é ainda mais clara. Segundo a definição mais amplamente adotada, recursos educacionais abertos  significa a provisão recursos educacionais – que podem ser de simples unidades de conhecimento como fotos, a capítulos de livro, softwares educacionais, jogos, ou mesmo um curso completo e as metodologias didáticas de aplicação e uso de tais recursos – permitida e promovida pelas tecnologias da comunicação e informação, para consulta, uso, adaptação por toda comunidade de usuários possíveis, não somente aqueles vinculados a uma educação formal.  Este conceito aponta claramente para três elementos de design de um recurso educacional que se propõe a ser aberto: o conteúdo, a plataforma e a administração dos direitos de propriedade intelectual que recaem sobre um certo recurso de forma que o detentor dos direitos autorais ou de software digam de forma clara e de antemão quais os usos autorizados. Como o próprio conceito traz esses usos dizem respeito a possibilidades de – utilizando as palavras da Lei Brasileira de Direito Autorais – reprodução, distribuição e produção de obras derivadas (como traduções ou adaptações para diferentes plataformas tecnológicas), sempre respeitando os direitos morais do autor. Entretanto o que se vê nos projetos Brasileiros é um design precário e incompleto na grande maioria dos projetos avaliados.

Talvez uma das primeiras coisas que deve ser feita em relação a isso é uma ação  de mão dupla de baixo para cima e de cima para baixo. Numa ação de baixo para cima, ações de educação sobre os  uma forma mais positiva de uso da propriedade intelectual em prol ao compartilhamento de conhecimento, direitos dos professores, alunos e bibliotecários e  compreensão do que significa participar da sociedade do conhecimento. E uma ação de cima para baixo de unificação das políticas de elaboração e disponibilização de recursos educacionais.

Por fim, creio que três são as coisas para pensar e que podemos concluir em relação a isso tudo:

  1. Sistemas abertos e redes abertas podem criar novas formas de inovação/criação;
  2. Novas formas de inovação/criação podem ser ajudadas, ou prejudicadas, por políticas publicas e institucionais e
  3. Brasil está experimentando com idéias de colaboração e abertura, mas estamos somente no começo.

Gpopai: A precariedade da infra-estrutura de educação no Brasil impacta a implementação e ampla adoção de REAs pela comunidade?

Carolina Rossini: Sim e não. Claro que um amplo acesso as tecnologias da informação e comunicação permite uma mais rápida inclusão de professores e alunos na sociedade do conhecimento. Entretanto isso também só é verdade quando a metodologia de educação traz em a idéia de “trabalhar de forma conjunta”, “compartilhar conhecimento com pessoas do mundo inteiro” e “acessar recursos advindos de todo mundo”.  Por isso, afirmo que devemos pensar a inclusão digital de uma forma que possibilite que interações colaborativas (indivíduos como cidadãos) e não só transações (indivíduos como consumidores) sejam possibilitadas por essa metodologia educacional de inclusão digital.

Entretanto, sabemos que o Brasil tem grande defasagem de acesso as TICs, como a Internet, e que essas defasagens são ainda mais gritantes quando quebramos os dados por camadas sociais ou regiões do Brasil, mas também sabemos que o governo possui metas agressivas de conexão da rede pública de educação. O NIC.Br publica dados sobre isso todos os anos e o IBGE também ampliou suas pesquisas para tal questão. Ou seja, muitos estão e ficarão excluídos dessa possibilidade por longo tempo ainda. Também é importante lembrar o interessante fenômeno é o papel das lanhouses em inclusão digital – mas como esse não é nosso foco, não vou me estender nisso.

Desta forma, há que se pensar em como trazer a idéia de acesso, colaboração, remix, adaptação de recursos educacionais para a sala de aula que não esta incluída digitalmente. E projetos em outras partes do mundo já mostram que isso é possível. Na Índia distribui-se livros em caixas de biscoito que chegam a mais locais que pelo próprio correio, metodologias construtivistas já trazem em seu ceio a questão da colaboração. Ou seja, desde cedo considero possível incutir em nossos jovem uma visão positiva sobre as vantagens de “aprender de forma conjunta” e “ser criativo”, “não ser passivo no recebimento de conhecimento”. Muitos chamam tal currículo de alfabetização para o digital. Ou seja, creio que a formação de indivíduos para a cultura comunitária da Internet pode e deve acontecer mesmo sem acesso imediato e constante a Internet.

Gpopai: Quais são os ganhos educacionais possibilitados pela adoção de recursos abertos?

Carolina Rossini: Creio que os ganhos são muitos, mas diversos em relação aos atores envolvidos.  Uma didática mais inclusiva valoriza o professor e os alunos como atores que participam ativamente da criação, aprimoramento e adaptação do conhecimento embutido em recursos educacionais a suas necessidades locais e cotidianas, em paralelo a possibilidade de colaboração com pessoas do mundo inteiro, o que garante uma visão global da educação e do conhecimento. Ademais, gera independência do professor de escolher recursos centrais ou recursos complementares que são mais adequados a certo grupo de alunos num determinado momento, além de permitir a mais rápida produção, correção e distribuição de novas versões de recursos mais atuais e corretas.

Aqui afirmo que os “olhos” de muitos geralmente funcionam melhor que os “olhos” de poucos.  E tal “mantra” já se provou verdadeiro em áreas de produção colaborativa como o software livre, ou na resolução de complexos problemas científicos via projeto Innocentive, ou pelo exemplo constantemente citado da Wikipedia.

Tais recursos também possibilitam a inclusão de uma camada da população que não tem acesso, por uma série de razões a educação formal ou de uma camada de população que gosta de estudar independentemente do local, classe, ou idade. Eles também tem acesso a tais recursos  educacionais quando esses são verdadeiramente abertos. E quando utilizo a palavra “aberto” refiro-me, reafirmando o dito anteriormente, a autorização pelos detentor de direitos de propriedade intelectual de acesso, uso, adaptação e circulação de tais recursos.

Gpopai: Você vê contradições na criação de recursos educacionais fechados financiados pelo Estado (por exemplo, os materiais multimídia produzidos pela Fundação Vanzolini para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, ou os materiais produzidos por professores que trabalham em tempo integral para uma instituição pública)?

Carolina Rossini: Certamente. Tais materiais são produzidos com base em dotação do orçamento público. E de onde vem tal orçamento? Do pagamento de impostos realizado pela maioria dos cidadãos brasileiros. O pagamento de salários de professores e servidores em tempo integral faz parte do orçamento das universidades publicas que são financiadas por “dinheiro publico” proveniente de impostos.  Vale lembrar ainda que a Constituição determina que cultura e educação são direitos de todos. Desta forma, acredito que o Estado tem a obrigação de oferecer oportunidades formais (que aqui significa a inscrição formal de alunos a cursos, geralmente após um exame ou algum procedimento formal de inscrição)  e informais (sem a necessidade de processos formais de inscrição) de aprendizagem, potencializando, assim, o investimento publico. Muitos questionam como medir esse “aprendizado” informal possibilitado a todos via recursos educacionais abertos…aqui tem se sugerido a realização de exames voluntários dos inscritos ou algum processo de registro.

Gpopai: Qual é a relação dos REAs com as licenças livres e com os softwares livres?

Carolina Rossini: Software livre inspirou muitos movimentos colaborativos em termos das liberdades permitidas e da possibilidade de colaboração e desenvolvimento voluntário de um bem que traz em si uma conhecimento. Ademais, software livre mostrou como possível o desenvolvimento de modelos de negócio criativos baseados em conteúdo aberto. Creio que todos temos muito a aprender com as experiências de software livre e o reconhecimento de que as capacidades estão distribuídas socialmente, e muitas vezes em locais inesperados. Entretanto, para que tais capacidades se realizem, há que se abrir a possibilidade de participação e garantir o acesso aos meios de produção desses bens portadores de conhecimento.

As licenças livres ou abertas, por sua vez, são a base essencial tanto do software livre como dos recursos educacionais abertos. As licenças do Creative Commons são licenças livres que tornaram-se “standards” legalmente aceitos e executáveis judicialmente. Por meio de tais licenças, que nada mais são que licenças voluntarias de direito autoral, resguardadas pela nossa Lei de Direitos Autorais e por tratados internacionais, o autor ou detentor dos direitos autorais resguarda alguns direitos para si e fornece de antemão a sociedade alguns de seus direitos. Por isso a frase “alguns direitos reservados”. Desta forma, quando um usuário acessa um certo conteúdo ou software licenciado por licenças livres e abertas  ele já saberá o que poderá fazer com aquele conteúdo, em termos dos direitos de acesso, reprodução, distribuição e produção de obras derivadas. Para recursos educacionais abertos, de forma a garantir sua plena interoperabilidade jurídica e, desta forma, técnica, recomenda-se o uso da licença Creative Commons Atribuição, a mais permissiva das licenças CC. Entretanto, já se observa o uso da Creative Commons Atribuição – Não comercial em projetos que possuem fins lucrativos, como uma forma de proteger-se de competidores. O mais claro exemplo é o modelo de negócios aberto adotado pela inovativa Flat World Knowledge que resumidamente permite o acesso aberto e a alteração de livros online e cobra por cópias impressas (printing on demand) e alguns serviços ao redor de customização de materiais.

Gpopai: No seu Green-Paper, você recomenda que a lei de copyright seja reformada, para que sejam ampliadas e formalizadas as exceções e limitações relacionadas à educação. Qual o impacto da atual legislação sobre os REAs? Que mudanças na lei de direitos autorais facilitariam a adoção de REAs?

Carolina Rossini: Sim, é verdade, recomendo a ampliação de exceções e limitações a lei de direitos autorais para fins educacionais, não comerciais. A lei Brasileira, quando comparada a outras, como a americana, é muito restritiva. Por exemplo, escolas de cinema não podem passar filmes essenciais a seus alunos sem infringir a lei….bibliotecas ou fotocopiadoras não podem disponibilizar copias de livros raros, não impressos no Brasil ou esgotados. E assim por diante. Ha que se repensar a lei para atender os fins constitucionais de acesso a cultura e educação. Tenho muita esperança no processo atual de revisão da lei, processo que primou pela ampla participação social e representação de interesses. Há que se permitir o uso de conteúdo para fins educacionais não comerciais.

Os REA, na situação da nossa lei, servem como um “tapa-buraco”, pois se utilizam da lei para permitir, por meio de licenças autorizadas pelas lei, usos que estão previstos em lei, mas que estão centralizados na mão do autor.  O autor permite que a sociedade utilize tais direitos ao vincular o conteúdo educacional que produziu a uma licença aberta e facilitar o acesso por meio de plataformas tecnológicas ou formas inovativas de distribuição.  Aqui o “privado” (mesmo que financiado por dinheiro público de forma direta ou indireta) autoriza o público a utilizar aquele conhecimento embutido no recurso educacional.

Mas preciso afirmar que, mesmo com essa função imediata de “tapa-buraco” numa situação de lei restritiva como a brasileira, os REA tem uma função muito maior: a função de clarificar e fornecer segurança jurídica ao acesso e uso de recursos educacionais, ademais da função de colocar no centro do debate a questão de acesso a recursos financiados por dinheiro publico.

Gpopai: Qual sua avaliação da Conferência sobre Recursos Educacionais Abertos?

Carolina Rossini: Creio que a conferência foi um sucesso maior do que eu podia imaginar. A participação por assídua e interessada. As apresentações realmente cultivaram o debate e foram capazes de mostrar todos os lados envolvidos na questão: o lado jurídico, o lado técnico, o lado de respeito as necessidades locais, o lado da cultura colaborativa e possibilitadora de inovação. Bem… posso seguir aqui infinitamente. Creio que um dos pontos também relevantes é a abertura dos olhos da comunidade política –representantes do congresso, do Ministério da Educação e das Secretarias de Educação a uma discussão mais complexa sobre a estruturação e planejamento de projetos educacionais mais inclusivos e realmente abertos e a necessidade de garantir-se amplo acesso a recursos educacionais financiados por dinheiro publico. Creio que algo muito importante também foi o estabelecimento de canais de comunicação entre projetos nacionais e internacionais e entes do governo e da sociedade.

Gpopai: As recomendações feitas no evento também podem impactar a Conferência de Educação?

Carolina Rossini: Essa é uma de minhas grandes esperanças e creio que conseguimos uma boa abertura via representantes do congresso envolvidos em tais discussões. A Conferência Nacional de Educação, que vai ser realizada no começo de 2010 representa a culminação de um debate social amplo sobre as possíveis necessidades de reforma da educação. Encontros regionais já acontecem e estão abertos a população. Entretanto, o que se percebe é  que tais debates ainda giram em torno de temas tradicionais – mas necessários. A parte de tecnologia entra por meio do debate da inclusão digital e da educação a distancia. Mas nenhum desses tópicos apresenta de forma clara o debate sobre recursos educacionais abertos e a oportunidade de revolução de acesso e metodologia que esses trazem. Espero que o trabalho realizado até agora, por meio do projeto REA Brasil e fomentado por uma comunidade que ganha cada vez mais corpo e expressão, abra um espaço oficial de debate sobre REA na CONAE e na pauta de educação Brasileira.

A versão em pdf está disponível aqui.

05/02/2012 at 23:10 Deixe um comentário

Junte-se a semana REA no mundo – de 5 a 10 de março 2012 !

Junte-se aos seus colegas em todo o mundo para aumentar a compreensão sobre a educação aberta! A Semana de Educação aberta será realizada de 5-10 março 2012 online e em eventos hospedado localmente em todo o mundo. O objetivo é aumentar a consciência do movimento de educação abertarecursos educacionais abertos.

Há muitas maneiras que você pode mostrar seus projetos de educação aberta. Diga-nos como você gostaria de participar: preencha o formulário online ate 31 de janeiro de 2012. Não há necessidade de apresentar a sua proposta final, basta nos contar o que você está planejando fazer para que possamos agendar e alocar recursos apropriados.

Você também pode contatar os organizadores da conferência neste email: openeducationwk@gmail.com.

Veja mais detalhes estão no Blog do CC-EUA.

23/01/2012 at 15:24 Deixe um comentário

18º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância

Aberta a chamada de trabalhos para o 18° CIAED Congresso Internacional ABED de Educação a Distância “Histórias, Analíticas e Pensamento “Aberto” – Guias para o Futuro da EAD” São Luís – Maranhão 23 a 26 de setembro de 2012.

Veja as categorias de trabalhos abaixo e envie sua experiencia ou pesquisa sobre recursos educacionais abertos!

2.3 Cada Trabalho submetido deverá ser identificado de acordo com os itens: Categoria, Setor Educacional, Natureza e Classe.

2.3.1. – Categoria
A – Estratégias e Políticas
B – Conteúdos e Habilidades
C – Métodos e Tecnologias
D – Suporte e Serviços
E – Gerenciamento e Logística
F – Pesquisa e Avaliação

2.3.2. -Classificação das Áreas de Pesquisa em EAD (Zawacki-Richer 2009)

Nível Macro – Sistemas e Teorias de EAD
1. Acesso, Equidade e Ética
2. Globalização da Educação e Aspectos Culturais Transfronteiros
3. Sistemas e Instituições de EAD
4. Teorias e Modelos
5. Métodos de Pesquisa em EAD e Transferência de Conhecimento

Nível Meso – Gerenciamento, Organização e Tecnologia
1. Gerenciamento e Organização
2. Custos e Benefícios
3. Tecnologia Educacional
4. Inovação e Mudança
5. Desenvolvimento Profissional e Apoio ao Corpo Docente
6. Serviços de Apoio ao Estudante
7. Formas de Assegurar a Qualidade

Nível Micro – Ensino e Aprendizagem em EAD
1. Design Instrucional
2. Interação e Comunicação em Comunidades de Aprendizagem
3. Características de Aprendizes

 

23/01/2012 at 15:11 Deixe um comentário

Oficina REA no EducaParty

A 5ª edição da Campus Party Brasil chega com uma importante novidade para os campuseiros e educadores preocupados com os paradigmas da educação no Século 21. Em parceria com a Fundação Telefônica, oferecemos a eles atividades especiais focadas na aprendizagem com novas tecnologias.

O EducaParty é, portanto, o espaço perfeito para que educadores conectados compartilhem suas experiências profissionais. Um total de 250 pessoas, entre professores de escolas públicas, ONGs e universidades, virão ao Anhembi entre os dias 7 e 10 de fevereiro para participar de atividades especiais.

Das diversas atividades planejadas, estão oficinas sobre o uso de ferramentas na web e nos celulares, visita guiada e debates com especialistas. A ideia é encontrar e sugerir à sociedade soluções de métodos que possam alinhar a evolução das plataformas digitais com um modelo de educação atualizado e atraente.

Entre as diversas atividades programadas, o Instituto Educa Digital, parceiro do Projeto REA-Brasil, promovera um workshop de formação de professores em desenvolvimento de recursos educacionais abertos. Mais noticias em breve!

23/01/2012 at 15:04 Deixe um comentário

Open Educational Resources in Brazil: State-of-the-Art, Challenges and Prospects for Development and Innovation

O livro “Open Educational Resources in Brazil: State-of-the-Art, Challenges and Prospects for Development and Innovation” da pesquisadora brasileira Andreia Inamorato dos Santos, é a segunda publicação dentro da série de estudos de caso do Unesco Institute for Information Technologies in Education. O estudo contém uma visão geral do panorama educacional brasileiro, a política nacional de educação e as estratégias de utilização das TIC na educação.

A autora descreve alguns repositórios de conteúdo digital aberto, com a devida ênfase sobre a situação de direitos autorais e considera vários exemplos de projetos bem sucedidos de Recursos Educacionais Abertos internacionais que envolveu parceiros brasileiros.

Segundo Andreia, uma tradução para o português deverá sair nos próximos meses. Em relação a licença do livro, a autora esclareceu no grupo REA no Facebook e na lista REA:

“a UNESCO detém os direitos autorais. Eles admitem a controvérsia, principalmente porque essa é uma publicação sobre REA, mas a discussão para tornar as publicações da UNESCO abertas (com o uso de licenças apropriadas) é institucional e já está tramitando. Tudo precisa passar por várias fases administrativas antes da implementação, mas estão caminhando para isso. Em relação a essa publicação, a UNESCO pretende estudar a possibilidade de oferecer algum tipo de permissão para remix, mas isso não será algo imediato. Talvez um outro tipo de licença seja algo que possamos conseguir para a versão em português. De qualquer maneira, o livro está disponível gratuitamente e pode ser distribuído.”

O download está disponível aqui. Boa leitura!

09/01/2012 at 11:40 Deixe um comentário

Grande Prêmio Wikimedia Brasil: a qualidade contra o tempo

Foi durante a Wikimania 2011, evento que reúne centenas de voluntários dos projetos da Wikimedia Foundation, como a Wikipédia, num pequeno restaurante em Haifa, que surgiu a notícia. A maior fabricante de computadores populares do Brasil, o Grupo Positivo, está interessado em instalar uma versão da Wikipédia offline instalada em seus produtos. Todos nós da Wikimedia Brasil que estavam presentes se entusiasmaram, pois era sabida a importância deste fato para difusão da enciclopédia e de sua missão. Em outras palavras, isso significava versões da Wikipédia em aproximadamente 13% do mercado nacional de computadores pessoais e com maior representatividade nas camadas de menor renda.

Apesar da boa notícia, começou uma corrida contra o tempo. Era necessário preparar a versão offline da Wikipédia em português, com 5.000 mil artigos de boa qualidade, num prazo de tempo muito curto, março de 2012. O desafio era enorme e para superá-lo precisaríamos pisar fundo no acelerador.

A lista dos 5.000 artigos que deveriam compor a versão offline foi preparada em apenas três meses, com grande ajuda dos voluntários da Wikimedia Brasil, mas a qualidade ainda não era suficiente e seria preciso melhorá-los. Foi então que surgiu a ideia de um grande prêmio, como as grandes corridas automobilísticas. Sem carros e sem voltas, mas com artigos para serem melhorados e muitos prêmios para os “pilotos” que aceitarem esse desafio. Assim começou o “I GP Wikimedia Brasil“, onde cada artigo melhorado é uma volta completada.

A largada será dada em janeiro de 2012 e para participar é muito fácil. Basta se inscrever em uma das equipes existentes ou formar uma equipe nova. As inscrições vão até o dia 07 de janeiro de 2012 e no momento há 71 inscritos divididos em 22 equipes, porém a previsão é chegar aos 100 participantes. Afinal, esse é um Grande Prêmio onde todos ganham.

Os prêmios serão distribuídos conforme as equipes melhorarem a qualidade dos artigos que integram a lista. São botons, adesivos, cadernos e camisetas com a marca da Wikipédia, além de troféus e medalhadas nas páginas dos usuários participantes. As regras da premiação serão divulgadas logo após a formação das equipes, mas sabemos que o prêmio maior é a versão offline da Wikipédia em língua portuguesa!

Imagine um mundo onde cada ser humano compartilhará livremente a soma de todo o conhecimento. Imagine, agora, um Brasil onde milhares de pessoas – algumas sem acesso à Internet – compartilharão uma pequena soma deste conhecimento. É isso que vamos fazer. Integre uma equipe e também participe desse Grande Prêmio!

(Texto escrito colaborativamente pela comunidade Wikimedia Brasil)

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23/12/2011 at 23:21 Deixe um comentário

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